Remição é o reconhecimento de parte da pena como cumprida em razão de trabalho, estudo e outras atividades admitidas pela legislação e regulamentação. Ela pode alterar o cálculo da execução e antecipar a análise de benefícios.
Como funciona a remição pelo trabalho
A Lei de Execução Penal estabelece a proporção de 1 dia de pena remido a cada 3 dias de trabalho.
A remição pelo trabalho é tradicionalmente aplicada a quem cumpre pena em regime fechado ou semiaberto, observadas as regras da execução.
Fonte oficial: Lei de Execução Penal, art. 126 — Planalto.
Exemplo simples: se forem reconhecidos 90 dias de trabalho válidos para remição, isso pode representar 30 dias de pena remidos.
Como funciona a remição pelo estudo
No estudo, a proporção legal é de 1 dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar, distribuídas em pelo menos 3 dias.
Podem ser consideradas atividades de ensino fundamental, médio, profissionalizante, superior e de requalificação profissional, desde que observados os requisitos de comprovação.
A lei também permite estudo presencial ou a distância, desde que certificado pela autoridade educacional competente.
Existe acréscimo por conclusão de curso?
Sim.
Quando a pessoa conclui o ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, o tempo remido pelo estudo pode ser acrescido de 1/3, desde que a conclusão seja devidamente certificada.
Trabalho e estudo podem ser somados?
Podem, desde que as cargas horárias sejam compatíveis.
A própria LEP admite a cumulação das hipóteses de remição por trabalho e estudo.
A leitura também pode gerar remição?
Sim, dentro das regras fixadas pelo Conselho Nacional de Justiça e pelos projetos implementados na execução.
A Resolução CNJ nº 391/2021 regulamenta práticas educativas não escolares e leitura. A cartilha do CNJ informa, para projetos de leitura, a possibilidade de 4 dias de remição por obra lida, observados os limites e critérios de validação.
Fonte oficial: CNJ — remição por estudo e leitura.
Nem toda leitura feita de maneira informal gera automaticamente remição: é necessário observar o procedimento adotado pela unidade e pelo juízo.
Quem reconhece os dias remidos
A remição precisa ser declarada pelo juiz da execução.
A unidade prisional deve encaminhar periodicamente ao juízo os registros de trabalho e estudo, com os dias trabalhados e as horas de frequência.
Por isso, quando há divergência no cálculo, é importante conferir:
- atestados de trabalho;
- folhas de frequência;
- certificados;
- relatórios da unidade;
- decisões anteriores de remição;
- cálculo de pena atualizado.
Falta grave faz perder toda a remição?
Não necessariamente.
A LEP prevê que, em caso de falta grave, o juiz pode revogar até 1/3 do tempo remido, observadas as circunstâncias do caso e a decisão judicial.
A perda não é automaticamente de todo o período já reconhecido.
Remição conta para outros benefícios?
Sim. O tempo remido é considerado pena cumprida e pode repercutir no cálculo de benefícios da execução, como progressão de regime e livramento condicional.
Por isso, um cálculo de pena sem remições corretamente lançadas pode apresentar datas de benefício diferentes das efetivamente aplicáveis.
Veja também livramento condicional: quando pode ser concedido? e progressão de regime: como funciona?.
E a prisão domiciliar?
Desde alteração legislativa de 2026, a Lei de Execução Penal passou a prever expressamente que o cumprimento da pena em regime domiciliar não impede a remição.
Isso não significa que qualquer atividade feita em casa gere automaticamente dias remidos: a atividade precisa se enquadrar nas hipóteses reconhecidas e ser comprovada nos autos.
Para outros temas, acesse execução penal.
Conteúdo informativo. O reconhecimento da remição depende da atividade efetivamente realizada, da documentação, das regras aplicáveis e de decisão do juízo da execução.
Conteúdo informativo. A leitura não substitui consulta jurídica e não cria relação advogado-cliente.