Pecúlio, na execução penal, é o valor formado com parte da remuneração do trabalho da pessoa presa e reservado para sua entrega quando ela é colocada em liberdade. Ele não é benefício previdenciário, indenização ou redução de pena.

De onde vem o pecúlio

A Lei de Execução Penal prevê que o trabalho do preso seja remunerado.

Do valor recebido, a legislação admite destinações para:

  • indenização do dano causado pelo crime, quando determinada judicialmente;
  • assistência à família;
  • pequenas despesas pessoais;
  • ressarcimento ao Estado, nas condições previstas em lei.

A parte restante, ressalvadas outras aplicações legais, deve ser depositada para a constituição do pecúlio.

Fonte oficial: Lei de Execução Penal, art. 29 — Planalto.

O pecúlio é uma poupança da pessoa presa?

Em termos práticos, sim: a lei determina que a parte restante da remuneração seja depositada para formar uma reserva destinada à pessoa condenada.

Isso não significa, porém, que todo valor recebido pelo trabalho irá para o pecúlio. Antes do depósito podem existir as destinações previstas no próprio art. 29 da LEP.

Quando o pecúlio deve ser entregue

A regra legal estabelece que o pecúlio será entregue ao condenado quando posto em liberdade.

A própria LEP reforça essa lógica ao tratar do livramento condicional: o art. 138 prevê que, ao sair do estabelecimento penal, o liberado recebe, além de seus pertences, o saldo do pecúlio.

Fonte oficial: Lei de Execução Penal, arts. 29 e 138 — Planalto.

Livramento condicional permite receber o pecúlio?

A Lei de Execução Penal prevê expressamente a entrega do saldo do pecúlio ao liberado na saída do estabelecimento após a concessão do livramento condicional.

Isso é importante porque o livramento condicional não extingue imediatamente a pena, mas coloca a pessoa em liberdade durante o período de prova.

Veja também livramento condicional: quando pode ser concedido?.

O pecúlio pode ser entregue à família?

A titularidade do pecúlio é da pessoa presa.

A forma prática de liberação pode variar conforme a situação concreta, o estabelecimento prisional, a existência de conta bancária, procuração, alvará ou determinação do juízo.

Se o valor não foi entregue quando deveria, é necessário verificar os documentos da execução antes de concluir que houve retenção indevida.

O que conferir quando o pecúlio não é liberado

Alguns documentos ajudam a identificar o problema:

  • comprovantes ou relatórios de trabalho;
  • demonstrativo dos valores acumulados;
  • extrato do pecúlio;
  • informação da unidade prisional;
  • decisão que concedeu a liberdade ou livramento condicional;
  • alvará ou ordem de transferência, se houver;
  • comprovante bancário;
  • manifestações já apresentadas no processo.

Também é importante confirmar se existe divergência entre o valor informado pela unidade e o valor efetivamente depositado.

Pecúlio e remição são a mesma coisa?

Não.

O trabalho prisional pode gerar efeitos diferentes ao mesmo tempo:

  • remição, que reduz o tempo de pena;
  • remuneração, da qual pode ser formado o pecúlio.

Assim, uma mesma atividade de trabalho pode gerar dias remidos e, se remunerada, também contribuir para a formação do pecúlio.

Veja como funciona a remição de pena.

Pecúlio é auxílio-reclusão?

Não.

O auxílio-reclusão é benefício previdenciário sujeito a requisitos próprios e destinado aos dependentes do segurado, quando preenchidas as condições legais.

O pecúlio da execução penal decorre do trabalho prisional e pertence à própria pessoa presa.

O que fazer se o valor não foi recebido

Quando há notícia de que o pecúlio deveria ter sido liberado, mas não chegou ao destinatário indicado ou não foi disponibilizado ao titular, é necessário confirmar primeiro:

  1. se houve efetiva constituição do pecúlio;
  2. qual o saldo reconhecido;
  3. se existe decisão determinando a liberação;
  4. para qual conta ou forma de pagamento o valor foi destinado;
  5. se a unidade cumpriu a ordem;
  6. se é necessária nova manifestação ao juízo da execução.

Em alguns casos, a solução passa por ofício à unidade prisional, pedido de esclarecimento ou petição nos autos da execução.

Para outros temas, acesse a página de execução penal.

Conteúdo informativo. A existência, o saldo e a forma de liberação do pecúlio dependem dos registros da unidade prisional e das decisões da execução penal.

Conteúdo informativo. A leitura não substitui consulta jurídica e não cria relação advogado-cliente.